Decidi ir ao Gabão pra visitar meus amigos Gabi e Edu, que estão lá a trabalho. Era só um pedaço de África perdido nesse mundo de meudeus e virou uma surpresa muito boa. Despertou, às vezes, uma estranha familiaridade — mandioca ubíqua, búzios, cabaças que abundam, bundas que rebolam, prestidigitação governamental — e ao mesmo tempo manteve a promessa de um exotismo cultural de certo modo esperado — macacos inteiros à venda em açougues improvisados sobre tábuas de madeira, crianças que brincam entre agulhas enferrujadas de vodu, tecidos e calangos hipercoloridos, pigmeus & suas circunstâncias, uma classe média educada que vive em vielas sem asfalto e casas de madeira apertadas na capital, Libreville, um silêncio quase constrangedor a respeito da escravidão. Numa exposição organizada pelo governo pra celebrar os 50 anos do país, a linha do tempo que se desenrolava de modo mais ou menos consciencioso desde a pré-história dá um salto do século 16 para o século 19. Exotique. Uma casa que no século 17 funcionava como uma espécie de entreposto de escravos, muitos dos quais viriam pro Brasil, é transformada em balcão de hotel sem nenhuma sombra de menção pública ao passado. É um lugar em que escravidão é tema relegado à arte da fofoca. Ao mesmo tempo, resta uma mágoa profunda dos colonizadores franceses. Andar nas regiões mais populares é ouvir “ô branca”, “ô França” e ver um pouco de camaradagem e alívio ante o “não, amigo, a gente é do Brasil”. Estima-se que 25% da população seja de estrangeiros — muitos de São Tomé e Príncipe, Nigéria, Burkina Faso, Líbano, França e China, muito além do restaurante PEKIИ.
PS. E outra, se você tá aí se achando a coisa mais gorda do Universo, vai pro Gabão, minha filha, que lá o pessoal não tem miséria, não.
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no fim do arco-íris tem 2 opção ou tem mais elefante ou você chega em sorocaba são 2 opçao ok
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